argo

Peço desculpas pela demora ao comentar “ARGO”, o filme ganhador do Oscar deste ano. Tento justificar pela falta de tempo e pela grande procura que o filme ainda provoca locadoras (ele foi lançado nas prateleiras, um dia após a cerimônia de premiação). A história dessa produção traz gêneros distintos como a comédia, o policial, o drama e o suspense. Além disso, existem filmes dentro do filme, ficções dentro da ficção, e uma responsabilidade com a memória americana, já que o filme ilustra fatos reais. Surge então a ideia improvável de resgatar prisioneiros políticos, em uma embaixada invadida por terroristas iranianos, fazendo-os passar por profissionais de cinema, em plena produção de um filme. Com bom humor e uma ironia mordaz, um especialista da CIA adota o primeiro roteiro improvável que vê (“Argo”, uma ficção científica passada no Oriente Médio) e trata de simular a veracidade do projeto. Ao invés de se contentar com piadas fáceis sobre o falso glamour de Hollywood, o diretor e ator Ben Affleck vai além: ele compara a política com a representação cinematográfica. Mas, se “Argo” fosse transformado de fato em fita de ficção, com batalhas espaciais e efeitos ao estilo Star Wars, seria hoje uma obra esquecida em uma prateleira empoeirada de um colecionar voraz, de tamanha fragilidade do roteiro ou dos personagens estereotipados. A recusa do “show”, dos efeitos sonoros ou visuais que chamam atenção para eles mesmos, também é transferida para as atuações. Ben Affleck é generoso ao se dar o papel principal, mas o compõe com grande discrição, através de gestos simples e contidos. John Goodman e Bryan Cranston são atores excelentes que sempre vemos como coadjuvantes em bons filmes, e ficamos esperando que um dia tenham filmes só para eles. E Alan Arkin diverte com um papel que ele já interpretou diversas vezes, o do sujeito sarcástico e sem escrúpulos. Do bom roteiro à técnica eficaz, das atuações impecáveis ao olhar crítico à política, “Argo” representa o que a indústria americana consegue produzir de melhor nos dias de hoje. Gostei do filme, mas ainda não acredito que este seja o melhor filme de 2012. Assistirei a Lincoln e outras produções que concorreram à estatueta para acabar com essa dúvida. Até mais.

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